1.3.12

tenho fome


O mundo é uma mesa posta.


Antes de deitar limpo a cama,
perco a calma...
seu cheiro ainda desperta o meu apetite 
e de novo, não estás aqui.

Vou lavar os teus pés
com a dor que escorre das minhas mãos
e verás, nada foi em vão.

Dormirei com fome esta noite,
mas não tardará, o sol vai aquecer as minhas veias
e não resistirei...
vou brilhar com a vida.
Eu vou brilhar!

Minha força se alimenta dos extremos.
Destas dores dilacerantes virão sorrisos alucinantes,
e você ouvirá:
entre dentes vou sussurrar um adeus manso e quente de marola lambendo areia
e por favor, não chora...
Ou se chorar, chora baixinho, para que seja apenas um eco distante
que de tão pequeno
eu consiga tê-lo como parte de uma fantasia
de que nosso amor é eterno

sei, não é justo, nem verdade, mas "a verdade não rima"

Mais que fantasia aconchegante,
desejo indizível e irrealizável, incontinente...
e que deusas ou rainhas seríamos nós se o tivéssemos conseguido domar?
A quais deuses pediríamos perdão?
Quem iria nos render desta tormenta?






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